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11 de Janeiro de 2018 - 10:08h
Etanol prejudica motor flex?

Fonte: Site Notícias Automotivas

Automóveis nacionais são praticamente um sinônimo de motorização flex. Boa parte dos veículos comercializados em nosso mercado, sejam eles produzido localmente ou importados, são dotados de um propulsor bicombustível capaz de rodar tanto com gasolina como etanol, seja individualmente ou misturados. Isso vem desde 2003, quando foi lançado o primeiro carro flex no mercado nacional – uma versão do Volkswagen Gol de terceira geração, que recebeu o sobrenome de “TotalFlex”.

Ou seja, a saga de automóveis flex acontece no cenário brasileiro há quase 15 anos. Entretanto, apesar de todo este tempo, há uma série de mitos e verdades que costumam ser proferidos durante uma conversa entre amigos que contam com pelo menos um veículo estacionado na garagem de casa. Entre elas, a questão de que um motor bicombustível pode ser prejudicado caso o proprietário utilize somente etanol.

Etanol prejudica o motor?

No entanto, já vamos logo adiantar: isso não é verdade! O motor flex foi projetado para rodar com qualquer proporção de ambos os combustíveis. Até porque não adiantaria em nada equipar um veículo com um propulsor que possa ser prejudicado futuramente caso seja abastecido com somente um tipo de combustível por durante anos.


Alguns especialistas informam que o etanol pode sim prejudicar o conjunto de um veículo flex. Segundo eles, quando o proprietário abastece seu automóvel somente com o combustível derivado da cana por um longo período, forma-se uma espécie de “geléia”, que se assemelha com aquele açúcar queimado que é formado no fundo da panela de pudim. Ao endurecer, essa “geléia” pode provocar estragos nos bicos injetores, bomba de combustível, filtro de combustível, roscas das velas e boia de combustível.

Todavia, as montadoras informam que não há problemas em abastecer o carro somente com etanol. Além disso, os próprios condutores de automóveis afirmam que isso se trata de uma inverdade, baseando-se em suas experiências. Aliás, tal problema pode sim acontecer, mas em casos de etanol adulterado. Sendo assim, procure abastecer o seu veículo sempre um posto de combustível de confiança.

Do mesmo modo, um motor flex apresenta durabilidade equivalente à de uma unidade monocombustível. O propulsor bicombustível é projetado desde o início para rodar com etanol e/ou gasolina e acaba recebendo proteção contra os depósitos deixados pela gasolina e também contra a corrosão provocada pelo etanol. Contudo, os combustíveis alterados também podem prejudicar a vida útil do motor, resultando em gastos adicionais (e desnecessários) no bolso do proprietário do veículo.

Por outro lado, uma verdade é que o etanol pode provocar alguns problemas (sem qualquer relação com à durabilidade do conjunto). O combustível pode provocar falhas na partida do motor a frio, já que ele tem uma vaporização mais complexa em temperaturas inferiores a 14 ºC. Isso é mais recorrente em veículos mais antigos, sobretudo os movidos somente a etanol.

No caso de um carro bicombustível, tal problema raramente aparece, visto que praticamente todos os modelos são dotados de um reservatório de gasolina (também conhecido como “tanquinho”), que injeta o combustível fóssil na admissão do motor no momento da partida e melhora o arranque e o funcionamento do aparato antes de atingir à temperatura adequada. Sendo assim, lembre-se sempre de verificar as condições de gasolina inserida no tanquinho – ele tem capacidade para cerca de meio litro, sendo que o recomendado é fazer a substituição do combustível a cada seis meses para evitar que ele fique velho e sem boas condições para o uso.

Em alguns automóveis mais recentes há uma nova tecnologia de partida a frio, que dispensa o reservatório auxiliar de gasolina e aquece o etanol antes de ser injetado, com o uso de uma vela em cada bico injetor.

O etanol é a melhor opção ao abastecer o meu carro?

Tanto o etanol como a gasolina apresentam vantagens e desvantagens. Como vantagem, o etanol emite uma quantidade bem menor de gases nocivos do que os combustíveis fósseis (contribuindo para menor danos à camada de ozônio), tem um menor impacto ambiental também pelo fato de ser solúvel em água (em vazamentos, pode ser diluído facilmente) e é uma fonte renovável. Por outro lado, uma das principais desvantagens é que o etanol é menos eficiente, sendo necessário queimar mais o combustível derivado da cana para produzir energia equivalente à da gasolina. Além disso, o consumo de combustível do carro aumenta consideravelmente com etanol no tanque.

Já a gasolina apresenta como uma das vantagens a maior eficiência, fazendo com que o veículo entregue um menor consumo de combustível e seja “mais amigo” do bolso do proprietário. Além disso, a gasolina aditivada, por exemplo, como o próprio nome indica, conta com aditivos para limpar parte dos componentes internos do motor, facilitando a queima de combustível e até mesmo contribuindo para uma melhora no consumo de combustível. Contudo, ela provoca uma maior emissão de monóxido de carbono (CO2), é uma fonte não renovável (ou seja, uma hora vai acabar) e tem preços altos demais e com muita variação.

Ou seja, pensando pelo lado do meio ambiente, o etanol é uma melhor opção para abastecer um automóvel. Fora isso, o carro passa a entregar um desempenho mais vigoroso com o uso deste combustível. Porém, a gasolina consegue oferecer uma eficiência maior quando o assunto é o consumo, beneficiando as finanças do usuário.

Troquei o combustível do meu carro. E agora?

Se você estava rodando somente com etanol, esperou o combustível acabar por completo no tanque do seu carro e abasteceu posteriormente somente com gasolina, há uma dica em específico. De acordo com especialistas, é recomendado dirigir por pelo menos oito quilômetros após promover a troca completa do combustível para que o sistema do carro consiga detectar a mudança e recalibrar o aparato para a nova mistura.

O sistema do motor consegue reconhecer o combustível através da quantidade de oxigênio resultante da queima – daí o tempo necessário para fazer o reconhecimento, visto que é preciso esperar que o combustível seja queimado pelo motor e o gás resultante, emitido pelo sistema de escape.

Caso o motorista não realize este procedimento, é provável que o veículo apresente falhas ao tentar dar a partida anteriormente. Entretanto, basta insistir para que o sistema entre em funcionamento.

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